Brasil deve ter menor safra de soja

– 112,5 milhões de toneladas, um corte de quase 4% em relação à última previsão –

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de soja 2018/19 do Brasil, em colheita avançada, deverá totalizar 115,34 milhões de toneladas em um corte de quase 3% dentro da previsão do mês de janeiro, com a cultura ainda sentindo as condições climáticas desfavoráveis durante a fase de desenvolvimento.

Trata-se da segunda redução feita pela Conab em suas estimativas desde os impactos do tempo quente e seco nos principais estados produtores do país. Em janeiro deste ano, o órgão do governo esperava colheita de 118,80 milhões de toneladas de soja, enquanto em dezembro de 2018, um recorde de pouco mais de 120 milhões de toneladas.

No Rio Grande do Sul, as regiões da fronteira oeste, campanha e região central, em que ocorreram chuvas com volumes muito superiores ao normal para o período, causando alagamentos e muitos dias sem luz, devem registrar perdas significativas.

Em meio a uma safra menor, a Conab também ajustou sua previsão para as exportações brasileiras da commodity em 2018/19, estimando agora, vendas de 71,5 milhões de toneladas, antes 75 milhões na previsão passada e um recorde de 83,6 milhões no ciclo anterior.

Ferrugem-asiática: a ascensão desta praga

O último balanço publicado pelo Website Consórcio Antiferrugem, órgão que tem por objetivo permitir o acesso facilitado às informações e o monitoramento da dispersão da ferrugem-asiática da soja no Brasil, apontou um índice altíssimo no aumento da ferrugem-asiática na soja, e desde então, essa doença vem preocupando os agricultores.

A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora Pachyrhizie, atualmente é uma das doenças mais severas desta cultura, fato que se deve ao grande potencial de perdas na produtividade. Está é originária da Ásia e foi relatada pela primeira vez no Japão, há mais de 116 anos, posteriormente, espalhou-se para outros países. No Brasil, a doença foi encontrada no final da safra 2000/2001, no estado do Paraná e vem aumentando sua área de ocorrência a cada ano, disseminando-se rapidamente para diversas regiões.

A severidade da ferrugem-asiática, foi comprovada na safra 2003/2004, onde ocorreu de forma generalizada em quase todos os estados do Brasil, provocando prejuízos consideráveis em diversas regiões produtoras. Os efeitos desta praga, sofre variações ano após ano, dependendo de diversas situações, como região, clima, condições ambientais, etc, todavia, a concentração inicial de inóculo não reflete na severidade da doença. Cultivares resistentes ou tolerantes sofrem quedas de produção bem menos do que as suscetíveis, porém, a resistência genética pode ser perdida com o tempo.

Especialistas indicam que o controle químico, aliado a boas práticas de manejo do solo, são capazes de combater o ataque da ferrugem-asiática na lavoura de soja. No que tange o manejo, os mesmos afirmam que, várias práticas devem ser postas em ação, como entrada antecipada dos fungicidas aliado ao monitoramento da lavoura.

 

 

A importância da água na cultura do soja

Agricultura Digital: a tecnologia no campo

A tecnologia está presente na vida de todas as pessoas, seja da forma mais simples até a tecnologia mais complexa. Atualmente, a tecnologia cresce de forma acelerada e seu aperfeiçoamento simplifica vários processos das nossas vidas. No agronegócio não é diferente, tendo avanço significativo, tanto para o campo, quanto para o administrativo, impulsionando o mercado mundial em sua economia como um todo, gerando novas oportunidades e especializações.

Neste novo século, em meados dos anos 2000 surgiu o termo Agricultura Digital, que evoluiu rapidamente, tendo investimento em pesquisas sobre o tema, consequentemente, com o seu aperfeiçoamento, cresceu a sua demanda. O processo de desenvolvimento e transformação digital do agronegócio acontece de forma muito rápida, principalmente devido ao uso de Big Data, Cloud Computing, Telemetria, Agricultura de Precisão, Integração de Sensores, Mobilidade e alta disponibilidade de dados, que estão cada vez mais presentes no cotidiano do agricultor, desafiando o setor a repensar o modelo de negócios atual.

A Agricultura Digital, também chamada de Agricultura 4.0, é o uso e processamento de todos os dados gerados no campo, seja ele através de sensores eletrônicos instalados nas máquinas, sensores nos talhões, uso de imagens de alta resolução (aéreas ou satélites) amostras e apontamentos físicos em campo (de solo, apontamento de pragas), que possam ser georreferenciados, apontamentos econômicos que possam ser atrelados a um talhão. Tudo isso, obviamente, deve estar conectado para que o agricultor possa tomar a decisão mais assertiva baseado nas informações que o campo tem gerado.

Especialistas afirmam que, o ambiente agrícola é vasto e fértil, tendo o Brasil como um dos líderes nessa revolução digital da agricultura, por sua vocação agrícola, por sua liderança no avanço de produtividade e por seus profissionais e pesquisadores que são referência do agronegócio.

Pioneira dentro do termo Agricultura Digital, encontramos a agricultura de precisão, conceito que nasceu na década de 1980 e que hoje é uma parte relevante desse processo de digitalização da agricultura, sendo sua categoria incluída no meio após seu claro uso de tecnologia e ganhar maiores investimentos em suas pesquisas por Startup. Neste contexto, a AgroPrecision está sempre atenta às demandas do setor do agronegócio e, atuando com consultoria na área, desenvolve estudos para aperfeiçoar suas técnicas, das quais são capazes de interagir com a crescente tecnologia, gerando resultados precisos e assertivos para os agricultores.

AgroPrecision presente na 8ª Noite de Campo Sementes Aurora: a missão foi dada

Nos dias 20 e 21 de fevereiro a partir das 19h30min acontece a 8º Noite de Campo promovida pela empresa Sementes Aurora no município de Cruz Alta. Com a temática baseada no filme “Tropa de Elite” o evento promete muito conhecimento técnico, apresentação de novas tecnologias e uma ótima oportunidade para ampliar o network.

A Noite de Campo, ganhou espaço no cenário de eventos do agronegócio, por reunir centenas de agricultores, estudantes, pesquisadores e empresas do setor. A organização do evento, comenta que no último ano, foram mais de 1000 visitantes, em suas duas noites, o que comprova o seu sucesso.

Indo ao encontro da relevância da Noite de Campo, a AgroPrecision que participa desde a primeira edição como espectadora, desde 2018 aceitou o desafio e é uma das empresas expositoras do evento. Os diretores da AgroPrecision, comentam que participar de um evento como este é de suma relevância, pois uma das missões da empresa é trabalhar na disseminação de conhecimento e agregar valor a eventos como este.

“Participamos desde a primeira edição da Noite de Campo da Sementes Aurora, dessa forma, conseguimos acompanhar o crescimento do evento e sua relevância no setor. Sendo assim, em nosso segundo ano de participação como expositores, queremos surpreender o público, levando informações de qualidade, que possam ser de grande valia para o agricultor.” – Leonardo e Rodrigo Rossato.

Continuidade e monitoramento da cultura da soja

Você sabe qual a importância de dar continuidade e fazer o correto monitoramento da cultura da soja!?

Importância econômica da água aplicada à máxima produtividade da cultura da soja

A água constitui aproximadamente 90% do peso da planta atuando em, praticamente todos os processos fisiológicos e bioquímicos. Desempenha a função de solvente, através do qual gases, minerais e outros solutos entram nas células e movem-se pela planta. Além disso, a água tem papel importante na regulação térmica da planta, agindo tanto no resfriamento como na manutenção e na distribuição do calor.

A disponibilidade de água é importante principalmente em dois períodos de desenvolvimento da soja: germinação emergência e floração-enchimento de grãos. Durante o primeiro período, tanto o excesso como a falta de água prejudica o estabelecimento da cultura e à obtenção de uma boa uniformidade na população de plantas, sendo o excesso hídrico mais limitante do que o déficit. A semente de soja necessita absorver, no mínimo, 50% de seu peso em água para assegurar uma boa germinação. A necessidade de água na cultura da soja vai aumentando com o desenvolvimento da planta, atingindo o máximo durante a floração – enchimento de grãos (7 a 8 mm/dia), decrescendo após esse período.

Em geral, o consumo mais elevado de água coincide com o período em que a cultura apresenta maior altura e índice de área foliar. A necessidade total de água na cultura da soja, para obtenção do máximo rendimento, varia entre 450 a 800 mm/ciclo, dependendo das condições climáticas, do manejo da cultura e da duração do seu ciclo. Como o consumo de água pela cultura da soja depende, além do estágio de desenvolvimento, da demanda evaporativa da atmosfera, o seu valor absoluto pode variar, tanto em função das condições climáticas de cada região como em função do ano e da época de semeadura na mesma região climática.

Neste cenário é possível observar a importância do solo estar estruturado fisicamente (sem compactação), equilibrado nutricionalmente (nutrientes disponíveis nas quantidades necessárias) e com a microbiota ativa, para que as raízes tenham o seu máximo desenvolvimento e aproveitamento da agua em nutrientes em profundidade, garantindo assim a estabilidade produtiva da lavoura.

10 bilhões de dólares em prejuízos fazem da lagarta Helicoverpa estar entre as principais pragas da lavoura

Pesquisadores que realizam o monitoramento de lavouras no Rio Grande do Sul, detectaram a presença da helicoverpa armigera na cultura da soja na safra 2018/2019. Esta praga surgiu no Brasil em 2013 e no ano seguinte causou ataques e perdas na produção. Na tentativa de amenizar os danos causados por esta praga, o governamental federal através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) demandou atos normativos e declarações de situação de emergência fitossanitária, permitindo a importação, uso emergencial e registro especial temporário de inseticidas com o objetivo de suprimir a praga e minimizar os danos causados nas culturas que eram produzidas no país.

A lagarta helicoverpa é considerada uma das principais pragas agrícolas no mundo, e estima-se prejuízos anuais aproximados de US$ 10 bilhões em virtude de seu ataque. Em novembro de 2018, a praga atacou lavouras de soja em Goiás, cultivados com a tecnologia RR2 (segunda geração dos transgênicos). O uso desta tecnologia tem o objetivo de manter a lagarta longe da lavoura, devido a proteína tóxica a ela que, se ingerida pela praga pode levar a sua morte. Os primeiros técnicos agrícolas que chegaram ao local da infestação constataram de duas a quatro unidades da helicoverpa por metro de linha e, em alguns pontos, a média era de 11% das plantas com a presença da praga. Segundo os pesquisador e doutor em entomologia Germison Vital Tomquelskié que acompanhou o caso, esse cenário é um quadro considerado crítico. “no começo, eram lagartas pequenas, e fomos acompanhando por 15 dias, para checar se a tecnologia (semente) iria controlar. Mas, no fim, se desenvolveram e chegaram a um estágio de crescimento que indicava claramente que iriam fechar o ciclo.”

Buscando minimizar os efeitos com a lagarta helicoverpa, o agricultor conseguiu a liberação do Ibama, para avaliar o impacto no meio ambiente, e da Anvisa que apontou o perigo à saúde humana para definir a utilização do benzoato de emamectina, este que é a ‘tarja preta’ dos defensivos. Por este motivo é considerado extremamente tóxico, por isso o cuidado principalmente com quem manuseia-o deve ser redobrado. Além disso, se usado acima das doses recomendadas no rótulo, o efeito pode ser um grande causador de problemas.

A recomendação é de que o agricultor faça o monitoramento da sua lavoura e, se detectar a presença da praga, procure fazer o controle imediato da mesma, seja através do controle biológico ou com o uso de inseticidas.

 

Fonte: Globo Rural

Alto índice de chuvas no Rio Grande do Sul abriu espaço para uma doença perigosa na soja

O verão deste início de ano chegou com bastante umidade e altos níveis de chuvas por todo o Rio Grande do Sul. Em algumas cidades da região da fronteira as águas inundaram cidades e deixaram os campos encharcados. Esse clima chuvoso favoreceu a germinação do fungo causador do mofo branco na soja, coincidindo com o momento considerado o mais crítico para infecção da doença, o estádio fenológico R1, em que a planta começa o processo de floração.

O fungo do mofo branco sobrevive no solo durante vários anos e é praticamente impossível de erradicar essa doença. O próprio fungo produz estruturas de resistência conhecidas como escleródios, no momento em que ele começa a atacar as sementes. Eles são estruturas irregulares de cor negra e ficam por muito tempo camuflados no solo à espera de condições ideais para germinar. Quando essa época chega ele germina e produz um cogumelo em forma de taça chamado apotécio, contendo diversos esporos que são lançados ao ar e deste modo infectam a planta.

A planta infectada, sem proteção, apresenta sinais de murchamento, apodrecimento, ocorrendo a morte da mesma, resultando em perda de rentabilidade da cultura que pode variar de acordo com a taxa de infecção do fungo na lavoura. Em anos em que há muitas chuvas e condições ambientais e edáficas ideais, principalmente no período de floração da soja, se tem uma probabilidade maior de infestação da doença na cultura. Essas condições obrigam o agricultor a tomar medidas de controle do fungo, iniciando com o uso de culturas de cobertura que não sejam hospedeiras da doença, associado a controle biológico e controle químico com o uso de fungicidas específicos.

Outra forma de prevenir a infestação do mofo branco na soja é utilizar somente sementes certificadas e tratadas, sem sinal de infecção. Isso vale para qualquer área a ser plantada, com ou sem histórico do fungo na lavoura, pois utilizando sementes de origem conhecida é possível evitar a entrada do fungo nas áreas. A limpeza do maquinário após sair da lavoura, bem como das unidades beneficiadoras de grãos são também importantes medidas de defesa para conter e fungo e impossibilitar que se propague em áreas não-contaminadas.

Saiba como minimizar os efeitos do clima e aumentar a produtividade da soja nesta época do ano

O déficit hídrico é um dos principais fatores que influenciam na perda de produtividade da soja, em todo o Brasil. Por esse motivo faz-se necessário a utilização de alternativas de manejo que façam a redução do risco climático associado a esse fator.

Uma das alternativas a serem pensadas pelo agricultor, em conjunto com o técnico responsável pela área, são estratégias de cultivo para o tratamento do sistema solo + planta + atmosfera, de modo que, se tratando do solo é possível buscar um aprofundamento do sistema radicular para que a planta tenha uma maior disponibilidade hídrica e assim enfrentar os períodos de maior calor do ano e que reduzem a produtividade da soja. Para aumentar o sistema radicular das plantas é necessário reduzir a compactação do solo, melhorar a fertilidade desse solo em profundidade para que a raiz possa crescer e explorar a capacidade nutricional, consequentemente haverá uma melhoria da fixação biológica do nitrogênio que é essencial para alcançar altas produtividades.

Em relação à planta, um dos principais cuidados está relacionado a eficiência da semeadura e a distribuição de plantas na área. Potencializando essa eficiência é possível explorar também o solo de forma assertiva fazendo com que a planta consiga chegar a um índice de área foliar ideal capaz de captar uma máxima interceptação de radiação solar, convertida posteriormente em maior produtividade. Outro ponto a ser destacado é em relação a data de semeadura, o risco climático e a ocorrência de doenças. Especialistas recomendam realizar o manejo da lavoura fazendo a semeadura em momentos que o clima é melhor para a cultura e pior para a doença, pois deste modo é possível reduzir o índice de perdas por causa de infestação na cultura.

Um dos pontos mais complexos do sistema solo + planta + atmosfera é a própria atmosfera, porque é necessário levar em consideração que cada região do Brasil é privilegiada com diferentes condições climáticas e estas podem variar dentro da mesma safra dependendo da região em que foi plantada, da data de semeadura e da cultivar que foi utilizada. O agricultor que entende este ambiente, considerando todos estes fatores que interferem na capacidade produtiva, principalmente em relação a disponibilidade hídrica, está alocando a cultivar em momentos em que esse déficit é mínimo. Sendo assim, é possível evitar períodos de déficit muito extremos que podem penalizar a produtividade da cultura.

Entender o clima e o solo da sua região, selecionar uma cultivar que se adapte bem a estes fatores e com base nestas informações fazer o manejo da área a ser plantada é essencial para realizar um diagnóstico de todo o sistema que envolve a cultura e assim investir onde a planta precisa mais, gerando um retorno positivo na produtividade e rentabilidade da produção. O potencial produtivo da soja é muito alto e há perspectivas para que, em um futuro não tão distante, agricultores possam colher em média 100 sacas do grão por hectare.

*Fonte: Rafael Battisti, Doutor em Engenharia de Sistemas Agrícolas pela ESALQ/USP.

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